terça-feira, 11 de Novembro de 2014

domingo, 9 de Novembro de 2014

num fio invisível do tempo

num fio invisível do tempo
eu colecciono os meus dias vazios
para que não se percam nunca
e para que um dia não se diga
que perdi os meus dias
que perdi o meu tempo

não

eu guardo todos os meus dias vazios
num fio invisível do tempo
e ainda que viva esta vida vazia
nunca nada perderei deste imenso tormento

domingo, 2 de Novembro de 2014

Distante

Disseram-me ontem que a minha tristeza é a distância. Mas, como pode a minha tristeza ser a distância, se a distância é um espaço entre algo que existe e, a haver em mim tristeza por qualquer distância, ela seria sempre entre mim e algo que não existe? E, se fosse algo que já não existe, seria saudade, mas, sendo algo que nunca existiu, seria só sonho; nunca distância.

Disseram-me ontem que a minha tristeza é a distância. Mas, eu sei que a minha tristeza é, só, a ausência de uma certa distância.

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

simplesmente

o corpo quieto
e o olhar no horizonte
dir-se-ia que adivinho o novo dia
e que é em direcção ao futuro que se move
o pensamento

sim
porque até é vasto o oceano
e o céu sem fim

e no entanto
simplesmente
morro dentro de mim

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

No mais perfeito silêncio

No mais perfeito silêncio
aguardo as palavras perfeitas
que me falem só a mim…

…no mais perfeito silêncio
não parecem haver palavras assim.

domingo, 26 de Outubro de 2014

sábado, 25 de Outubro de 2014

e nada mais

mais um dia
e mais nada
ou antes
fosse só nada

e não mais
um outro dia
igual
a outro dia

só mais um
dia só
e mais nada

só mais uma
vez só
e nada mais


sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

que me chamem por todos os nomes

que me chamem por todos os nomes
que não o meu
e que me soe tão estranho isso
que é como se o meu reflexo no espelho
não me mostrasse como sou por dentro

que a qualquer distância que se interponha
entre mim e outra pele
até as mãos entrelaçadas
se pareçam com os ramos de uma árvore morta
tentando em vão agarrar o vento

que em cada olhar que olho directamente
só veja reflectido
nada mais que o desejo
que vive escondido no fundo de um vasto oceano
preso dentro de uma esperança naufragada

que tudo isto seja assim
apesar de tudo quanto me dizem
todos quantos me dizem
que o meu nome é um nome
que não é o meu
- eu não consigo ainda deixar de ser eu

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

as minhas mãos medem a distância infinda

as minhas mãos medem a distância infinda
entre os sonhos e o nada
e por entre os dedos
uma madeixa de cabelos
ou a ilusão deles
inacabada

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Há dias em que lhes ouço ainda as vozes

Há dias em que lhes ouço ainda as vozes,
mas já sem a doçura de outrora,
já sem o encanto que, em outros dias,
me trazia vida à vida e me enchia de luz os sonhos
até ao romper da aurora.

Hoje, a vida vive-se num mar de silêncio,
sem que som nenhum inquiete
o som que soa ainda aqui dentro.