segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Sonhos, são só sonhos

O ar toca-lhe a pele e despe-a do calor doce que sinto ao adormecer-lhe no colo. O céu azul não me olha; a sua íris negra perscruta no horizonte algo que só se descobre aqui dentro. Mas, nesse momento, um arado de suavidade revolve o meu baú de sonhos e, vindo do horizonte, um sorriso parece despontar ao longe, talvez, só para mim. Cai, então, sobre mim o brilho, cai sobre mim o céu, caem sobre mim cabelos com o suave aroma da aveia, lábios silenciosos dizem-me que estão perdidos nos meus lábios perdidos e tudo em mim se desfaz em pequenos grãos de areia fina que o vento revolve enquanto o beijo se dissolve…

Sonhos, são só sonhos, são só sonhos de sonho que sonho ao adormecer.

domingo, 21 de Setembro de 2014

Um certo vazio

Um certo vazio, nem muito grande, nem muito frio. Só um certo vazio sem alma que comigo se deita todos os dias na cama. Só, este certo vazio acompanha-me nos meus dias sem fim e, quando nada mais me toca, só o vazio se mantém sempre dentro de mim.

Agora, que me lembro, só um certo vazio foi sempre certo com esta leve tristeza sempre por perto.

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

A alma em mim

Como posso eu ser ainda parte deste corpo que destruí? A ruína da alma desmoronou-se sobre si mesma num ruir sem fim e, ao fim da noite, a sua sombra esconde-se no escuro e habita em mim.

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

À noite, a escuridão do mar profundo

À noite, a escuridão do mar profundo é replicada no céu nocturno. Ao largo, o mar salgado sabe às lágrimas da mulher que morreu ao meu lado. Amanhã, talvez seja o amanhã a partir do qual não haverá mais amanhãs. Hoje, mais um dia passou sem sabor, tal e qual como o de ontem e os outros dias que passaram sem amor.

E isto é tudo. Tudo, e sabe a nada.

domingo, 14 de Setembro de 2014

São ideias que me rodeiam

São ideias que me rodeiam como se fossem fantasmas de dias passados. Promessas de doçura que me azedaram nas mãos quando dou comigo a querer o dia como se já não tivesse sido perdido. Fátua fantasia que me envolve como um nevoeiro denso que em si mesmo se faz crer ser a salvação para a solidão com que me fere. Sob os meus pés o chão é tão falso quanto o é o céu de olhos assim. E um dia mais morre dentro de mim…

É tanta a distância

É tanta a distância entre aqueles corpos tão juntos. Tanta, entre corpos que dispensam as mãos, olhos que dispensam o olhar, bocas que nada dizem ao falar. Tão grande a distância como entre o meu pensamento e a infância. E é tão grande a distância que parece perder toda a importância. Tão juntos, os corpos vivem no limiar do toque subtil, as mãos perdem-se no ar que os dedos parecem querer agarrar, e o olhar, o olhar perdido por entre as coxas, deslizando pelo chão, aconchegado face na face, peito no peito, fora do mundo, o olhar é o mais liberto sentimento que parece fluir por entre corpos desunidos num enlace tão profundo.

terça-feira, 9 de Setembro de 2014

O vento sopra certo de sudoeste

O vento sopra certo de sudoeste sobre um mar calmo e quase adormecido. Por entre os grãos de areia desta praia esquecida talvez me encontre eu perdido. Talvez me encontre eu perdido…

Mas nem eu sei o quão perdido estou neste meu deserto com o mar aqui tão perto.

Sei só que o vento sopra certo de sudoeste sobre um mar calmo e quase adormecido e que por entre os grãos de areia anda o meu pensamento perdido.


segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

domingo, 7 de Setembro de 2014

As minhas mãos seguram sombras vazias

As minhas mãos seguram sombras vazias
e tudo o que os meus olhos vêem é ausência.

O meu corpo, toca-o o vento,
a alma, nada,
e, alado, o silêncio.

As minhas mãos perduram mesmo vazias
de tudo o que vejo e que sonho em silêncio.